Depois do ex-assessor da Presidência Rodrigo Rocha Loures, agora é a vez do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró retirar sua tornozeleira eletrônica. Passados dois anos e cinco meses, ele deve retirar o equipamento no dia 24 de dezembro. Morador de Itaipava, distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, onde hoje trabalha na venda de orgânicos, Cerveró perdeu as contas de quantas vezes teve de sair da cama e ir até o quintal de casa para sintonizar o acessório com o sinal de GPS e demonstrar que não estava burlando regras.

O uso da tornozeleira eletrônica é determinado sempre que a Justiça quer fiscalizar o cumprimento de medidas cautelares, como a prisão domiciliar. A Lava-Jato popularizou o equipamento ao adotar o regime domiciliar diferenciado para a maioria dos delatores. Os acordos incluíram desde a prisão domiciliar até o tipo domiciliar semiaberto, quando o delator pode sair de casa durante o dia, mas permanece recolhido à noite, aos fins de semana e feriados.

A retirada da tornozeleira é descrita pela maioria dos delatores como um alívio. A maioria coleciona anedotas e reclamações sobre o aparelho.

Há menos de um mês, o empresário Marcelo Odebrecht foi surpreendido pela Polícia Federal no condomínio onde mora, em São Paulo, durante a madrugada. A tornozeleira deu defeito e perdeu o sinal. O empresário teve de ir até Curitiba para substituir o equipamento.

A perda de sinal é a queixa mais frequente, mas há casos em que a tornozeleira rende reclamações mais sérias. O delator Mário Goes alegou ter desenvolvido uma tendinite no tornozelo esquerdo, provocando fortes dores. A defesa pediu à Justiça a retirada do equipamento. No entanto, a perícia médica se arrastou tanto que Góes retirou o equipamento em agosto passado, dentro do prazo previsto.

A tornozeleira já deu outras dores de cabeça. Rafael Angulo Lopes passou a usar o equipamento em abril e deve ficar com ele por dois anos. Ele alega, porém, não ter os cerca de R$ 150 mensais exigidos para a manutenção do equipamento. Desde que deixou de ser entregador de propinas do doleiro Alberto Youssef, ele diz não ter conseguido emprego. Aposentado, recebe cerca de R$ 2 mil por mês e paga pensão à ex-mulher.

Em março de 2016, a Corregedoria do TRF-4 determinou que, ao verificar a situação econômica do preso, o juiz poderá estabelecer, ou não, a obrigação de pagamento mensal da manutenção.

GPS delata fuga

Depois de ficar presa, a doleira Nelma Kodama, que também fechou acordo com a Lava-Jato, usa tornozeleira desde 2016. Ela dorme com o carregador ligado à tomada e, com isso, garante o funcionamento do acessório durante o dia. Quando sai com a família ou amigos, tenta disfarçar:

— Dou um toque  fashion  e amarro um lenço, como uma echarpe — conta, ao falar da falta de “modelos bonitinhos”.

Um dos casos mais emblemáticos foi o do ex-executivo da Camargo Corrêa Eduardo Hermelino Leite. Pela localização da tornozeleira, a Justiça viu que ele não estava cumprindo a prestação de serviços comunitários, punindo-o em seguida.

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