Não basta ter dinheiro – tem de saber usar. Com seu terceiro título nacional em quatro anos, o Palmeiras provou, mais uma vez, a importância de ter um elenco forte e uma estrutura impecável. A cereja do bolo foi a chegada de Felipão. Com ele, o time arrancou para ser campeão com uma rodada de antecipação.

O Campeonato Brasileiro de 2018 foi o décimo na história do Palmeiras. Somando ainda três Copas do Brasil, o Verdão é, disparado, o maior campeão nacional do futebol brasileiro. Só nos últimos quatro anos foram três conquistas – que vieram após um longo hiato, é verdade. Mas como e por que o Palmeiras se reafirmou como grande potência no Brasil? Listamos abaixo os seis motivos que levaram o clube a essa condição

FELIPÃO

A terceira passagem de Luiz Felipe Scolari pelo Palmeiras começou em agosto. Contratado uma semana e meia antes para substituir o demitido Roger Machado, ele estreou com um empate diante do América-MG no Campeonato Brasileiro escalando uma equipe reserva.

Foi aquele o primeiro indício de como o treinador aproveitaria o elenco até o fim do ano, priorizando Libertadores e Copa do Brasil. Surpreendentemente, porém, conseguiu levar o time não somente às semifinais dos dois torneios mata-mata, mas a uma arrancada histórica rumo à liderança do Brasileirão.

Quando Felipão assumiu, em agosto, o Palmeiras ocupava a sexta posição, com 26 pontos, oito atrás do Flamengo, seis atrás do São Paulo e três atrás do Internacional. Ao final do mês seguinte, tomou a liderança. Foram 22 jogos consecutivos sem derrota para ganhar um título que lhe faltava na coleção pelo clube.

ELENCO

Dos oito reforços que chegaram no decorrer do ano, só dois zagueiros não tiveram espaço: Emerson, que foi emprestado ao Internacional, e o argentino Nico Freire, que chegou durante a Copa do Mundo e não atuou em jogos oficiais. Os demais não só tiveram chances como, em alguns casos, viraram titulares. O paraguaio Gustavo Gómez estreou com uma semana de clube. Weverton ganhou a posição dos ídolos Prass e Jailson. Os laterais Marcos Rocha e Diogo Barbosa, como se esperava, disputaram jogo a jogo posição com Mayke e Victor Luis.

Lucas Lima, embora tenha alternado de rendimento e sido reserva nos torneios mata-mata, foi importante no Brasileirão. O ponto fora da curva acabou sendo o também meia Gustavo Scarpa, que perdeu grande parte da temporada pela questão jurídica com o Fluminense, mas voltou a ajudar na reta final.

Na campanha, foram 29 jogadores utilizados. Entre eles, nomes que não fazem mais parte do elenco (Tchê Tchê, Keno e Thiago Martins), garotos (Papagaio e Artur) e os três goleiros.

PATROCÍNIO

Iniciada em janeiro de 2015, a parceria com a Crefisa e a Faculdade das Américas, empresas geridas pelo casal de hoje conselheiros José Roberto Lamacchia e Leila Pereira, pagou ao clube apenas neste ano R$ 78 milhões (R$ 6,5 milhões mensais).

A quantia aumentou de um ano para o outro. No primeiro contrato, foram R$ 23 milhões. Em 2016, R$ 58 milhões, com o acréscimo de propriedades de patrocínio e exclusividade no uniforme. Na temporada seguinte, R$ 72 milhões.

Além disso, as patrocinadoras também emprestaram ao Palmeiras um montante de R$ 120 milhões (a serem devolvidos, com correção) para contratação de reforços e ainda ajudam no pagamento de salários de alguns jogadores.

CREFISA E FACULDADE
DAS AMÉRICAS INVESTIRAM…
R$78 MILHÕES
EM 2018
R$6,5 milhões / mês
R$23 MILHÕES
em 2015
R$58 MILHÕES
em 2016
R$72 MILHÕES
em 2017
…E EMPRESTARAM
(a serem devolvidos, com correção)
R$120 MILHÕES

(nos quatro anos)

PLANEJAMENTO

A exemplo de anos anteriores, o Palmeiras foi ao mercado para se reforçar. O que mudou foi que, desta vez, a diretoria aceitou negociar alguns nomes fundamentais de seu elenco. Como Yerry Mina. A promessa era de que ele iria para o Barcelona somente depois da Copa do Mundo, mas o zagueiro colombiano acabou saindo em janeiro. Sua saída acabou não sendo tão sentida porque o grupo já tinha muitas opções no setor. Ainda assim, no segundo semestre, a diretoria buscou Gustavo Gómez no Milan, e o zagueiro paraguaio rapidamente se encaixou, tornando-se um dos xodós da torcida e um dos principais nomes do título brasileiro.

Com a venda de sete atletas ao longo da temporada – além de Mina, também o volante Tchê Tchê, os atacantes Keno e Róger Guedes e três garotos formados na base (o goleiro Daniel Fuzato, o lateral-direito João Pedro e o atacante Fernando) –, entraram R$ 148 milhões em caixa.

ESTRUTURA

Não é raro ver um reforço recém-chegado comparar a estrutura do Palmeiras à de grandes clubes europeus. Felipão, cuja segunda passagem terminou em 2012, também notou enorme diferença na Academia de Futebol, que passou por grande reforma e ganhou o que a diretoria chama de “Centro de Excelência”.

A área, antigamente um ginásio, conta agora com sauna, três piscinas, auditório para palestras e preleções, minicinema e salão de jogos. Os departamentos médico e de fisioterapia, também ali alocados, foram modernizados com aparelhos de última geração para a recuperação física.

Para jogos em SP, o time também não precisa mais se concentrar em hotéis. Após a reforma, custeada inicialmente com patrocínio e finalizada pelo ex-presidente Paulo Nobre, o centro de treinamento agora dispõe de 34 quartos individuais e dez quartos duplos para atletas e comissão técnica.

PROGRAMA DE SÓCIOS E BILHETERIA

De acordo com o “Movimento por um Futebol Melhor”, que calcula o número de sócios-torcedores, o Palmeiras tem atualmente cerca de 130 mil inscritos no programa Avanti, cujos planos mensais variam de R$ 15 a R$ 650.

Somadas as receitas do programa (que em alguns planos dá desconto integral no valor do ingresso) e as de bilheteria, foram R$ 302 milhões arrecadados de 2015 (primeiro ano cheio de exploração da arena, que foi reinaugurada no fim de 2014) a 2017, segundo levantamento do Itaú BBA.

Nesta temporada, com um ticket médio a R$ 66, o Palmeiras acumulou até o momento pouco mais de R$ 76 milhões em renda bruta com 36 jogos em seu estádio (contando todas as competições), a maior do Brasil, graças a uma média de público de 31.750 pessoas, a segunda maior do futebol brasileiro.

PROGRAMA AVANTI
130.000

SÓCIOS-TORCEDORES

R$302 MILHÕES

(arrecadados de 2015 a 2017)
R$76 MILHÕES EM 2018
36

JOGOS

31.750

MÉDIA DE PÚBLICO

Reportagem de Felipe Zito e Tossiro Neto
Edição: Juliano Costa
Arte e Design: Claudio Assis, Enderson Silva e Debora de Deus
Desenvolvimento: Carlos Lemos

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