O Hospital Infantil Cosme e Damião, em Porto Velho, foi cenário de um encontro épico na manhã deste sábado (24). A rotina de internações e exames vividas pelas crianças que estão no local deram espaço para uma visita de super-heróis, que nem mesmo a tradicional competitividade entre DC Comics e a Marvel pode impedir de acontecer.

Os “Heróis do Bem”, grupo criado há pouco mais de dois anos por Rogério Ferroni em São Paulo, já conta com 24 voluntários. Eles cedem uma parte do seu tempo para levar a magia do mundo dos quadrinhos para aqueles que, mesmo pequenos, já travam grandes batalhas.

É o caso de Daniel Lira, de 10 anos. O menino foi internado há duas semanas, devido ao quadro de Traumatismo Cranioencefálico (TCE) que acabou acarretando em um rota vírus.

Daniel Lira, de 10 anos, abraçado com o Homem-Aranha.  — Foto: Daiane Lira/Arquivo pessoal

A mãe, Daiane Lira, de 32 anos, explica que, mesmo no ambiente hospitalar difícil e diante dos quadros clínicos que impossibilitam as crianças de brincarem, a visita deixou muito mais do que fotos para recordação.

“Para nós que estamos aqui passando por esse momento difícil foi muito bom. As crianças sofrem e os pais sofrem junto. Ver o sorriso depois de tantas lágrimas é muito bom e muito emocionante também. Eu estou muito feliz só pelo fato dessa visita”, explicou Daiane, emocionada.

E foi através de uma visita como a realizada neste sábado que a voluntária e enfermeira Patricia Souza Leite, de 39 anos, conheceu o grupo e passou participar das visitas como Mulher Maravilha. Ela conta que durante uma sessão de hemodiálise da filha, de 8 anos, teria visto em uma rede social um dos super-heróis. Depois de ver o quão mágico foi o encontro, surgiu a vontade de fazer parte e levar sorrisos para outras crianças.

Essa é a segunda visita do Heróis do Bem em Porto Velho.  — Foto: Sara de Oliveira Queiroz/Arquivo Pessoal

“Ele [Capitão América] foi visitá-la e ela teve uma surpresa preciosa. Foi tão encantador o momento, que eu vendo tudo aquilo pensei: não, eu preciso fazer alguma coisa, uma vez que meu tempo era doado 100% à minha filha. Depois que ela adoeceu, eu parei de trabalhar. Nisso, eu senti a necessidade e falei: eu vou doar 50% do meu tempo para uma atividade social. Tive o convite para entrar ao Heróis do Bem”.

O grupo faz, atualmente, de 11 a 15 visitas fixas a hospitais de São Paulo tanto a crianças na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) quanto na oncopedia. Essa foi a segunda visita possível em Porto Velho, devido a junção de empresários locais e amigos que custearam os gastos da viagem.

“Nós precisamos que as pessoas invistam no transporte, viagem e tudo. Isso é tudo pago por empresários daqui [Rondônia] que queriam nos ver aqui dentro dos hospitais, uma vez que Porto Velho é tão carente na área de humanização hospitalar e tem pouca dessas atividades dentro do hospital”, explica a Mulher Maravilha, Patrícia Souza Leite.

Vinda de uma cirurgia de hérnia, a pequena Ester Manoele Queiroz Barbosa, de 5 anos, internada há dois dias, teve a alta hospitalar no dia da visita. A boa notícia dada à mãe veio acompanhada do Flash, Batman e companhia.

A pequena Ester Manoele Queiroz Barbosa, de 5 anos, abraça o Flash durante visita.  — Foto: Sara de Oliveira Queiroz/Arquivo Pessoal

“Hoje ela já tá indo embora. Tiramos fotos com a mulher maravilha e estamos saindo mais felizes”, conta a mãe, Sara de Oliveira Queiroz, de 25 anos.

No domingo (25), os Heróis do Bem trocam os corredores e leitos do hospital pelo Espaço Alternativo de Porto Velho. A caminhada “Passos que salvam”, que promove a conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer infanto juvenil, é aberta ao público e acontece a partir das 16h.

*Cássia Firmino, estagiária do G1 Rondônia, sob a supervisão da editora Mayara Subtil.

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