Duas servidoras públicas foram afastadas das funções por suspeitas de fraude na folha de pagamento, em Colorado do Oeste (RO), a 760 quilômetros de Porto Velho. Uma pessoa contou ao G1 que a irregularidade pode estar acontecendo há anos no município. A prefeitura informou que a situação foi descoberta no mês passado, quando aconteceu a migração do sistema. Indícios apontam manipulação de salários e desvio de dinheiro público. O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) investiga o caso.

O prefeito José Ribamar de Oliveira (PSB) disse que, após tomar conhecimento da possível fraude, afastou as duas servidoras por 60 dias. As profissionais são efetivas há mais de 10 anos. Segundo o Poder Executivo, um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado e as apurações estão em curso.

Denúncia

Um homem, que preferiu não se identificar, contou ao G1 que também descobriu a fraude. Ele começou a desconfiar da irregularidade quando observava servidores com padrões de vida divergentes da remuneração recebida pela prefeitura.

“Comecei a pesquisar no site da transparência e descobri essa fraude. Uma fraude que é realizada há muito tempo. Quando saia o pagamento, a pessoa adulterava os valores do contracheque que era enviado para o banco. Quando compensava no banco, a pessoa apagava os valores alterados e voltava o valor original”, explica.

Uma das servidoras afastadas teria manipulado o próprio salário e o da mãe dela. O G1 teve acessos a documentos que mostram uma diferença na remuneração das profissionais.

A remuneração da servidora, segundo o Portal da Transparência, é R$ 1.987,55. No pagamento de abril, é possível observar que o número 3 aparece antes do adicional quinquênio. Nesse mês a remuneração saltou para R$ 5.174,23.

O mesmo teria acontecido na folha de pagamento da mãe da suspeita. O salário de R$ 3.039,79 passou para R$ 9.492,05. A modificação, nesse caso, foi feita nos valores do salário, quinquênio e pós-graduação.

Contudo, o denunciante afirma que outras pessoas estão envolvidas no esquema. “As pessoas que foram afastadas, são as mais simples. Essa é só a ponta do iceberg. Tem muita gente grande envolvida nessa situação, pois ali não tinha como ela fazer essa fraude sozinha, sem ninguém descobrir. Quando começarem a puxar isso, vão achar muita coisa errada”, afirma.

Suspeitas

As duas profissionais são mãe e filha, que trabalhavam em setores diferentes da prefeitura. Elas foram afastadas por 60 dias, com remuneração. Segundo os indícios levantados pela prefeitura, a filha tinha acesso ao sistema da folha de pagamento.

Dessa forma, a servidora teria alterado o salário dela e o da mãe. O G1 encontrou a suspeita e perguntou se havia cometido alguma irregularidade. Ela respondeu que “o futuro dirá”.

Novamente questionada se negava que havia cometido alguma irregularidade, a mulher complementou: “Não estou negando e nem estou confirmando. Eu simplesmente não quero falar”.

A reportagem também procurou a mãe dela, que teria se beneficiado da manipulação, mas a servidora não quis se pronunciar sobre o assunto.

Prefeitura

O prefeito José Ribamar explicou que o caso foi descoberto no mês passado, quando houve a migração do sistema de gestão. Com isso, a prefeitura comunicou o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministério Público, afastou as servidoras e instaurou um PAD.

“Foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar para fazer todo esse levantamento, para detectar os indícios; ver até que ponto isso realmente são fatos, e também assegurar aos servidores a ampla defesa”, ressaltou.

Prefeito afirma que caso está sendo apurado  (Foto: Eliete Marques/G1)

Prefeito afirma que caso está sendo apurado (Foto: Eliete Marques/G1)

O prefeito disse que o caso está sendo apurado a fim de saber em que período aconteceu, a quantidade de dinheiro desviado e se há outras pessoas envolvidas. “O indício é de que era usada a folha de pagamento para fazer esse desvio de recursos. Mas tudo está sendo averiguado”, diz.

Questionado se há irregularidades na gestão, o prefeito foi enfático. “Desconheço qualquer outra irregularidade. Desse nível e de outro nível. Até porque temos tratado essa questão pública com muita seriedade e muito comprometimento”, afirmou.

O MP-RO confirmou que recebeu a denúncia e está investigado o caso.

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