O famoso evangelista americano Billy Graham, que aconselhou presidentes americanos e pregou o evangelho cristão a milhões de pessoas em todo o mundo, da sua comunidade local na Carolina do Norte à Coreia do Norte, morreu nesta quarta-feira, 21, aos 99 anos, informou seu porta-voz.

Graham morreu às 8 horas (10 horas, em Brasília) em sua residência na cidade de Montreat, na Carolina do Norte, segundo Jeremy Blume, representante da Associação Evangelista Billy Graham.

Com seus estilo rígido e seus olhos azuis penetrantes, Graham era uma figura poderosa no auge de sua pregação, perambulando no palco e erguendo uma Bíblia ao declarar Jesus Cristo como a única solução para os problemas da humanidade.

Entre as personalidades que se reuniram com ele, estão a rainha Elizabeth II – recentemente, Graham apareceu como conselheiro da jovem rainha na minissérie The Crown, da Netflix -, o papa João Paulo II e a Madre Teresa de Calcutá.

De acordo com o seu ministério, ele pregou para mais pessoas do que qualquer outro evangelizador na história, falando para ao menos 77 milhões de pessoas pessoalmente. Além disso, mais de 215 milhões assistiram suas cruzadas por meio de TVs ou links via satélite, afirmou o porta-voz de Graham.

Fazendo piada das crenças religiosas de vice, Trump diz que Pence quer ‘enforcar’ os gays

Graham foi o capelão de facto da Casa Branca para vários presidentes americanos, o mais notório deles Richard Nixon. Ele também se encontrou com muitos líderes mundiais e foi o primeiro evangelizador que conseguiu romper a barreira da Cortina de Ferro, durante a Guerra Fria, e levar sua mensagem aos países do leste europeu.

“Ele foi provalvente o líder religioso dominante da nossa era”, disse William Martin, autor de “A Prophet With Honor: The Billy Graham Story” (Um profeta com honra: a história de Billy Graham, em tradução livre). “Não mais do que um ou dois papas, talvez uma ou outra pessoa, chegam perto do que ele conseguiu realizar.”

Em uma rara viagem em seu últimos anos de vida, Graham celebrou seu 95º aniversário, em 7 de novembro de 2013, em um hotel de Asheville, na Carolina do Norte, acompanhado por mais de 800 convidados, incluindo a política republicana Sarah Palin, o magnata da mídia Rupert Murdoch, o então apresentador de reallity show (e hoje presidente dos EUA), Donald Trump, e a apresentadora de TV, Kathie Lee Gifford.

Billy Graham, o pastor que aconselhou presidentes

A celebração incluiu um vídeo com um sermão que seu filho, Franklin, disse ser a última mensagem de Graham para os EUA. O pastor trabalhou por cerca de um ano na gravação, que foi exibida pela emissora Fox News. Na mensagem, ele afirmou que os EUA precisavam de “um despertar espiritual”.

No seu auge, Graham tinha um estilo de pregar com falar rápidas e explosivas que lhe renderam o apelido de “Metralhadora de Deus”. Durante suas “Cruzadas por Cristo”, Graham disseminou campos de devoção em todo o território americano que se tornariam terreno fértil para o crescimento do movimento político conservador pelo direito religioso.

Sua influência foi ampliada por uma organização que, cuidadosamente, planejou sua campanhas religiosas o colocando em conferências internacionais e seminários de treinamentos para líderes evangélicos, disse Martin.

O domínio de Graham em relação aos meios de comunicação também foi algo inovador. Além do rádio e de publicações impressas, ele usou linhas telefônicas, a TV e transmissões por satélite para enviar sua mensagem para milhões de lares, igrejas e auditórios em todo o mundo.

Conselhos

O evangelizador começou a se encontrar com presidentes americanos durante o mandato de Harry Truman (33º presidente dos EUA), que assumiu a Casa Branca em 1945. Ele mergulhou na piscina da Casa Branca com Lyndon Johnson (36º), jogou golfe com Gerald Ford (38º) e viajou com George H. W. Bush (41º).

George W. Bush (43º presidente dos EUA) creditou a Graham a redescoberta de sua fé. Em 2010, quando o pastor já tinha dificuldades para viajar, Barack Obama (44º) foi até ele em sua cabana de madeira nas montanhas Blue Ridge, na Carolina do Norte.

Os laços de Gragam com a Casa Branca eram mutuamente benéficos. Sua reputação crescia como o pregador dos presidentes americanos enquanto que os políticos se tornavam mais populares entre os eleitores influenciados por questões religiosas.

“Suas vidas pessoais – de alguns deles – eram difíceis”, disse Graham, um eleitor democrata registrado, à revista Time em 2007 sobre os políticos com quem teve contato. “Mas eu amei a todos eles. Eu admirei todos eles. Eu sabia que eles tinham fardos que iam além de qualquer coisa que eu jamais poderia saber ou entender.”

A reputação de Graham foi arranhada, no entanto, depois que a Casa Branca divulgou em 1972 gravações em que ele e Nixon faziam comentários antissemitas. Mais tarde, o pastor disse não se lembrar da conversa, mas pediu desculpas pelo ocorrido.

Billy Graham prega para milhares de pessoas no Madison Square Garden, em Nova York, em 1957
Billy Graham prega para milhares de pessoas no Madison Square Garden, em Nova York, em 1957 Foto: Larry Morris/The New York Times

No começo de sua carreira, Graham costumava dar sua opinião sobre questões sociais e políticas do momento, incluindo seu forte sentimento anticomunista. Ele qualificou os manifestantes contrários à Guerra do Vietnã como pessoas em busca de atenção e, apesar de ter se recusado a realizar encontros para estimular a retomada do segregacionismo, não teve papel ativo no movimento por direitos civis na década de 1960.

Mas as políticas de Graham não eram tão claras como as de alguns líderes religiosos que vieram depois dele, como Pat Robertson – que disputou a presidência dos EUA em 1988 -, e Jerry Falwell – cofundador da Maioria Moral, organização cujo propósito é promover políticas de cunho cristão.

Com o passar do tempo, Graham disse que se tornou muito envolvido em algumas questões e adotou um posicionamento mais equilibrado – e em cima do muro – sobre vários temas para tentar atingir mais pessoas. Ele fez questão de se posicionar, porém, em relação ao casamento gay em 2012 ao apoiar uma proposta estadual para banir o casamento gay na Carolina do Norte. Ele também se encontrou com o candidato republicano à Casa Branca Mitt Romney em outubro daquele ano e declarou apoio à sua campanha pela presidência americana.

Da fazenda ao púlpito

William Franklin Graham nasceu em 7 de novembro de 1918 em um família presbiteriana. Ficou conhecido como Billy Frank ao crescer em uma fazenda perto de Charlotte, na Carolina do Norte. Quando era adolescente, se ocupava principalmente com partidas de beisebol e com meninas até ser tocado por Deus depois de ouvir uma calorosa pregação avivacionista em Charlotte.

Depois de frequentar a Universidade Bob Jones, na Carolina do Sul, Graham foi para a Bible school na Flórida, onde faria sua primeira pregação de avivamento e onde foi ordenado em 1939 por uma igreja na Convenção Batista do Sul. Ele recebeu uma bolsa de estudos para a Faculdade Wheaton, perto de Chicago, onde conheceu Ruth Bell, cujos pais eram missionários na China. Os dois se casaram em 1943.

Ao invés de trabalhar em uma igreja local, Graham escolheu ser um pregador itinerante, espalhando o evangelho em tendas. Conheceu o sucesso em 1949, em Los Angeles, quando uma de suas cruzadas programada para durar três semana se prolongou por mais cinco devido às multidões que atraiu.

O sucesso da campanha em Los Angeles e a fama que o evento lhe trouxeu fez com que o magnata da mídia William Randolph Hearst, que gostava do estilo de Graham e de seus argumentos anticomunismo, ordenasse que seus jornais apoiassem o pastor.

Com o tempo, o evangelizador trocou os eventos itinerantes por pregações em alguns dos locais mais famosos do mundo, como o Yankee Stadium e o Madison Square Garden, em Nova York, e o Estádio de Wembley, em Londres. Ele fez seus sermões ao redor do mundo, incluindo vilarejos remotos na África, na China, na Coreia do Norte, na União Soviética, na Checoslováquia e na Hungria.

Os liberais o acusaram de dar credibilidade para governos abusivos enquanto que os cristãos fundamentalistas o criticaram por ir a países ateus e promover relações pacíficas com eles. Graham disse que via essas viagens como oportunidades apolíticas de angariar almas para Cristo.

Graham encerrou suas campanhas religiosas em junho de 2005 em Nova York, em um evento de três dias que atraiu mais de 230 mil pessoas, segundo sua organização religiosa. Ele passou o controle de sua associação evangélica para seu filho Franklin. Os outros quatro filhos do pastor também são evangelizadores. / REUTERS e AFP

 

O famoso evangelista americano Billy Graham, que aconselhou presidentes americanos e pregou o evangelho cristão a milhões de pessoas em todo o mundo, da sua comunidade local na Carolina do Norte à Coreia do Norte, morreu nesta quarta-feira, 21, aos 99 anos, informou seu porta-voz.

Graham morreu às 8 horas (10 horas, em Brasília) em sua residência na cidade de Montreat, na Carolina do Norte, segundo Jeremy Blume, representante da Associação Evangelista Billy Graham.

Billy Graham morreu nesta quarta, aos 99 anos, em sua residência; ele é considerado o pastor mais ouvido da história
Billy Graham morreu nesta quarta, aos 99 anos, em sua residência; ele é considerado o pastor mais ouvido da história Foto: Monica Almeida/The New York Times

Com seus estilo rígido e seus olhos azuis penetrantes, Graham era uma figura poderosa no auge de sua pregação, perambulando no palco e erguendo uma Bíblia ao declarar Jesus Cristo como a única solução para os problemas.

Entre as personalidades que se reuniram com ele, estão a rainha Elizabeth II – recentemente, Graham apareceu como conselheiro da jovem rainha na minissérie The Crown, da Netflix -, o papa João Paulo II e a Madre Teresa de Calcutá.

De acordo com o seu ministério, ele pregou para mais pessoas do que qualquer outro evangelizador na história, falando para ao menos 77 milhões de pessoas pessoalmente. Além disso, mais de 215 milhões assistiram suas cruzadas por meio de TVs ou links via satélite, afirmou o porta-voz de Graham.

Fazendo piada das crenças religiosas de vice, Trump diz que Pence quer ‘enforcar’ os gays

Graham foi o capelão de facto da Casa Branca para vários presidentes americanos, o mais notório deles Richard Nixon. Ele também se encontrou com muitos líderes mundiais e foi o primeiro evangelizador que conseguiu romper a barreira da Cortina de Ferro, durante a Guerra Fria, e levar sua mensagem aos países do leste europeu.

“Ele foi provalvente o líder religioso dominante da nossa era”, disse William Martin, autor de “A Prophet With Honor: The Billy Graham Story” (Um profeta com honra: a história de Billy Graham, em tradução livre). “Não mais do que um ou dois papas, talvez uma ou outra pessoa, chegam perto do que ele conseguiu realizar.”

Em uma rara viagem em seu últimos anos de vida, Graham celebrou seu 95º aniversário, em 7 de novembro de 2013, em um hotel de Asheville, na Carolina do Norte, acompanhado por mais de 800 convidados, incluindo a política republicana Sarah Palin, o magnata da mídia Rupert Murdoch, o então apresentador de reallity show (e hoje presidente dos EUA), Donald Trump, e a apresentadora de TV, Kathie Lee Gifford.

Billy Graham, o pastor que aconselhou presidentes

A celebração incluiu um vídeo com um sermão que seu filho, Franklin, disse ser a última mensagem de Graham para os EUA. O pastor trabalhou por cerca de um ano na gravação, que foi exibida pela emissora Fox News. Na mensagem, ele afirmou que os EUA precisavam de “um despertar espiritual”.

No seu auge, Graham tinha um estilo de pregar com falar rápidas e explosivas que lhe renderam o apelido de “Metralhadora de Deus”. Durante suas “Cruzadas por Cristo”, Graham disseminou campos de devoção em todo o território americano que se tornariam terreno fértil para o crescimento do movimento político conservador pelo direito religioso.

Sua influência foi ampliada por uma organização que, cuidadosamente, planejou sua campanhas religiosas o colocando em conferências internacionais e seminários de treinamentos para líderes evangélicos, disse Martin.

O domínio de Graham em relação aos meios de comunicação também foi algo inovador. Além do rádio e de publicações impressas, ele usou linhas telefônicas, a TV e transmissões por satélite para enviar sua mensagem para milhões de lares, igrejas e auditórios em todo o mundo.

Conselhos

O evangelizador começou a se encontrar com presidentes americanos durante o mandato de Harry Truman (33º presidente dos EUA), que assumiu a Casa Branca em 1945. Ele mergulhou na piscina da Casa Branca com Lyndon Johnson (36º), jogou golfe com Gerald Ford (38º) e viajou com George H. W. Bush (41º).

George W. Bush (43º presidente dos EUA) creditou a Graham a redescoberta de sua fé. Em 2010, quando o pastor já tinha dificuldades para viajar, Barack Obama (44º) foi até ele em sua cabana de madeira nas montanhas Blue Ridge, na Carolina do Norte.

Os laços de Gragam com a Casa Branca eram mutuamente benéficos. Sua reputação crescia como o pregador dos presidentes americanos enquanto que os políticos se tornavam mais populares entre os eleitores influenciados por questões religiosas.

“Suas vidas pessoais – de alguns deles – eram difíceis”, disse Graham, um eleitor democrata registrado, à revista Time em 2007 sobre os políticos com quem teve contato. “Mas eu amei a todos eles. Eu admirei todos eles. Eu sabia que eles tinham fardos que iam além de qualquer coisa que eu jamais poderia saber ou entender.”

A reputação de Graham foi arranhada, no entanto, depois que a Casa Branca divulgou em 1972 gravações em que ele e Nixon faziam comentários antissemitas. Mais tarde, o pastor disse não se lembrar da conversa, mas pediu desculpas pelo ocorrido.

Billy Graham prega para milhares de pessoas no Madison Square Garden, em Nova York, em 1957
Billy Graham prega para milhares de pessoas no Madison Square Garden, em Nova York, em 1957 Foto: Larry Morris/The New York Times

No começo de sua carreira, Graham costumava dar sua opinião sobre questões sociais e políticas do momento, incluindo seu forte sentimento anticomunista. Ele qualificou os manifestantes contrários à Guerra do Vietnã como pessoas em busca de atenção e, apesar de ter se recusado a realizar encontros para estimular a retomada do segregacionismo, não teve papel ativo no movimento por direitos civis na década de 1960.

Mas as políticas de Graham não eram tão claras como as de alguns líderes religiosos que vieram depois dele, como Pat Robertson – que disputou a presidência dos EUA em 1988 -, e Jerry Falwell – cofundador da Maioria Moral, organização cujo propósito é promover políticas de cunho cristão.

Com o passar do tempo, Graham disse que se tornou muito envolvido em algumas questões e adotou um posicionamento mais equilibrado – e em cima do muro – sobre vários temas para tentar atingir mais pessoas. Ele fez questão de se posicionar, porém, em relação ao casamento gay em 2012 ao apoiar uma proposta estadual para banir o casamento gay na Carolina do Norte. Ele também se encontrou com o candidato republicano à Casa Branca Mitt Romney em outubro daquele ano e declarou apoio à sua campanha pela presidência americana.

Da fazenda ao púlpito

William Franklin Graham nasceu em 7 de novembro de 1918 em um família presbiteriana. Ficou conhecido como Billy Frank ao crescer em uma fazenda perto de Charlotte, na Carolina do Norte. Quando era adolescente, se ocupava principalmente com partidas de beisebol e com meninas até ser tocado por Deus depois de ouvir uma calorosa pregação avivacionista em Charlotte.

Depois de frequentar a Universidade Bob Jones, na Carolina do Sul, Graham foi para a Bible school na Flórida, onde faria sua primeira pregação de avivamento e onde foi ordenado em 1939 por uma igreja na Convenção Batista do Sul. Ele recebeu uma bolsa de estudos para a Faculdade Wheaton, perto de Chicago, onde conheceu Ruth Bell, cujos pais eram missionários na China. Os dois se casaram em 1943.

Ao invés de trabalhar em uma igreja local, Graham escolheu ser um pregador itinerante, espalhando o evangelho em tendas. Conheceu o sucesso em 1949, em Los Angeles, quando uma de suas cruzadas programada para durar três semana se prolongou por mais cinco devido às multidões que atraiu.

O sucesso da campanha em Los Angeles e a fama que o evento lhe trouxeu fez com que o magnata da mídia William Randolph Hearst, que gostava do estilo de Graham e de seus argumentos anticomunismo, ordenasse que seus jornais apoiassem o pastor.

Com o tempo, o evangelizador trocou os eventos itinerantes por pregações em alguns dos locais mais famosos do mundo, como o Yankee Stadium e o Madison Square Garden, em Nova York, e o Estádio de Wembley, em Londres. Ele fez seus sermões ao redor do mundo, incluindo vilarejos remotos na África, na China, na Coreia do Norte, na União Soviética, na Checoslováquia e na Hungria.

Os liberais o acusaram de dar credibilidade para governos abusivos enquanto que os cristãos fundamentalistas o criticaram por ir a países ateus e promover relações pacíficas com eles. Graham disse que via essas viagens como oportunidades apolíticas de angariar almas para Cristo.

Graham encerrou suas campanhas religiosas em junho de 2005 em Nova York, em um evento de três dias que atraiu mais de 230 mil pessoas, segundo sua organização religiosa. Ele passou o controle de sua associação evangélica para seu filho Franklin. Os outros quatro filhos do pastor também são evangelizadores. / REUTERS e AFP

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