A nova gestão da Petrobras, sob comando de Ivan Monteiro, informou ao governo que aceita rediscutir a política de reajuste diário da gasolina e alongar a periodicidade das mudanças de preços do combustível ao consumidor. Fontes do governo disseram ao Valor que a estatal impõe duas condições para essa rediscussão: que a empresa não perca o lastro nos preços internacionais e que ela seja protegida contra a importação nos períodos em que a cotação do mercado externo estiver abaixo da vigente no Brasil.

Uma política de menor volatilidade poderia ajudar a diminuir a temperatura da crise política que se instalou no país há duas semanas, a partir da greve dos caminhoneiros, e que culminou com a saída de Pedro Parente da presidência da estatal.

Entre economistas e especialistas no setor de petróleo, há quase consenso de que é possível adaptar a política de preços da Petrobras. Os pontos de acordo envolvem a criação de mecanismos que suavizem o repasse da volatilidade do petróleo no mercado externo e do dólar para o preço dos combustíveis na bomba, e que essa política seja arcada pelo setor público.

Assim, ficaria protegido o balanço da Petrobras, que tem acionistas privados e concorre no mercado global com empresas que vendem a commodity e seus derivados pela cotação internacional.

Há, no entanto, pelo menos três problemas com essa nova política, que poderá ser adotada também para a gasolina. O primeiro é que, apesar de atacar o problema da variação abrupta de preços, o novo modelo não reduz automaticamente o valor dos combustíveis na bomba, uma das causas de insatisfação dos caminhoneiros. O segundo é a falta de capacidade fiscal dos agentes públicos em contribuir para a solução do problema. E o terceiro é a exposição da estatal aos concorrentes, que importam combustível e podem mexer nos preços diariamente, se quiserem.

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